Estava um qualquer de «nós» sentado numa paragem de autocarro às 15.00 horas da tarde (hora morta) de um solarengo dia «útil»de inverno e o silêncio reinava entre os «pacientes» clientes da T.S.T. (passo a publicidade, Transportes Sul do Tejo). De repente, e após se encontrar sentado há cerca de 10 minutos na dita paragem, uma pessoa pergunta para um homem que se encontrava do seu lado esquerdo:
«Olhe, desculpe, onde estou? Sabe-me dizer?» (a 2ª interrogação constitui uma total perda de tempo, aliás precioso, e é puramente retórica).
«Está em Cacilhas» - Responde o homem.
«Para onde é que eu vou?» - Torna a perguntar a referida pessoa.
«Não faço ideia...Desculpe lá, mas a senhora é que tem de saber isso...» - Devolve o homem intrigado.
«E o senhor? Sabe para onde vai?» - Pergunta a mulher.
«É óbvio que sei...» - Responde o homem, pensando já que se encontrava diante de alguém com algum tipo de patologia do foro psiquiátrico.
«Estranho... - respondeu a mulher - você sabe algo que a humanidade há milénios tenta descobrir...»
«Mas ainda não deve saber quem é e de onde vem...» - Pensou a mulher, cuja educação e conduta moral a impediram de fazer mais questões perante o silêncio atónito que ali se renovou.
Manuel Alva
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