quarta-feira, 2 de abril de 2008

Encruzilhadas...

Por vezes percorro aquela solitária e misteriosa estrada como se de um chamamento se tratasse...Gosto de palmilhá-la física e espiritualmente. Física, através da minha bicicleta, ou pedaleira como chamam no alentejo, que me transporta por esses caminhos de estrada velha que partem * das traseiras de minha casa. No meu veículo, de génese centenária, posso sentir o agradável vento (que de quando em quando tende a fazer companhia) a bater-me na cara e as pequenas pedras da estrada a rolarem ruidosamente debaixo dos pneus como se estivessem, uma vez mais ao longo dos seus duros anos, sido incomodadas, emitindo então um som de certo modo «crocante» como sinal de protesto, de aviso, ou quem sabe de boas-vindas (sim haverá mais possibilidades ainda, mas enquanto pseudo-escritor mediano de algibeira não poderei apresentar mais do que três possíveis causas, número agora mesmo por mim estipulado, tal como Bento XVI -- novo Messias -- risca o Limbo da religião católica por uma mera questão de entretenimento, algo inerente ao homem...) ao novo forasteiro que as pisa sempre na esperança de encontrar o seu caminho e de ultrapassar as próximas pedras da sua vida. Digamos que esta terapia nem sempre ajuda, antes pelo contrário, deixa-nos mais confusos nessa imensidão de encruzilhadas, de conquistas e de perdas que é a vida...


Manuel Alva


* Partirão ou chegarão? Talvez as duas possibilidades se conjuguem numa comunhão de partidas e chegadas, de inícios e não fins só verificáveis no cosmos...

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