segunda-feira, 28 de abril de 2008

Uni - Verso

Oh Universo Escuro
Que nos fazes voltar ao passado e viajar ao futuro...
O que nos trouxeste e o que trarás?
Enquanto permanecemos estáticos na nossa ignorância
Do teu segredo satírico mordaz...
E o que mais há a fazer se nos consomes ostensivamente com o teu poder?
Nula é a consciência...
Nula é a realidade
Enquanto assim te mantiveres
«Ausente» e cheio de verdade...


Manuel Alva

terça-feira, 22 de abril de 2008

Longe de Ti (II)

Longe de ti
isto que penso
sinto-me amado.
Sei que persigo
algo raro
será imenso
este fado
tenho-te destino
lá imagino
um pensamento.

Egas Sobral

Longe de Ti

Longe de ti
me encaminho
ilustre lugar
me recebe
Longe de ti
isto que penso
sinto-me amado.
Sei que persigo
algo raro
será imenso
este fado
tenho-te destino
lá imagino
um pensamento.
eu escolhi
fui sozinho
renegando perdoar
o que me persegue.
Teimo e sigo
julgo e paro
isto que penso
não me sinto amado.
Sei que persigo
algo raro
será imenso
este fado
tenho-te destino
ouso solitário
tentar não ter
pois sei
lá imagino
um pensamento mandatário
que devo temer
se caminhei.


Egas Sobral

sábado, 19 de abril de 2008

Voa Borboleta

Voa Borboleta, para junto daquele que te quer.
Voa, abre e solta as asas, como se soltam as palavras daquele que te quer amar.
Voa, apaixona quem te vislumbra.
Voa e faz sorrir quem chora, chorar quem ri.
Voa para junto de mim.

Egas Sobral

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Só tenho medo de mim e de ti, por mim e por ti...

Egas Sobral

Improfícuas Interrogações

Estava um qualquer de «nós» sentado numa paragem de autocarro às 15.00 horas da tarde (hora morta) de um solarengo dia «útil» de inverno e o silêncio reinava entre os «pacientes» clientes da T.S.T. (Transportes Sul do Tejo). De repente, e após se encontrar sentado há cerca de 10 minutos na dita paragem, uma pessoa pergunta para um homem que se encontrava do seu lado esquerdo:
«Olhe, desculpe, onde estou? Sabe dizer-me?» (a 2ª interrogação constitui uma total perda de tempo, aliás precioso, e é puramente retórica).
«Está em Cacilhas» - Responde o homem.
«Para onde é que eu vou?» - Torna a perguntar a referida pessoa.
«Não faço ideia...Desculpe lá, mas a senhora é que tem de saber isso...» - Devolve o homem intrigado.
«E o senhor? Sabe para onde vai?» - Pergunta a mulher.
«É óbvio que sei...» - Responde o homem inpaciente, pensando já que se encontrava diante de alguém com algum tipo de patologia do foro psiquiátrico.
«Estranho... - respondeu a mulher - você sabe algo que a humanidade há milénios tenta descobrir...».
«Mas ainda não deve saber quem é e de onde vem» - Pensou a mesma, cuja educação e conduta moral a impediram de fazer mais questões, perante o silêncio atónito que ali se renovou.


Manuel Alva

Interrogações

Estava um qualquer de «nós» sentado numa paragem de autocarro às 15.00 horas da tarde (hora morta) de um solarengo dia «útil»de inverno e o silêncio reinava entre os «pacientes» clientes da T.S.T. (passo a publicidade, Transportes Sul do Tejo). De repente, e após se encontrar sentado há cerca de 10 minutos na dita paragem, uma pessoa pergunta para um homem que se encontrava do seu lado esquerdo:

«Olhe, desculpe, onde estou? Sabe-me dizer?» (a 2ª interrogação constitui uma total perda de tempo, aliás precioso, e é puramente retórica).

«Está em Cacilhas» - Responde o homem.

«Para onde é que eu vou?» - Torna a perguntar a referida pessoa.

«Não faço ideia...Desculpe lá, mas a senhora é que tem de saber isso...» - Devolve o homem intrigado.

«E o senhor? Sabe para onde vai?» - Pergunta a mulher.

«É óbvio que sei...» - Responde o homem, pensando já que se encontrava diante de alguém com algum tipo de patologia do foro psiquiátrico.

«Estranho... - respondeu a mulher - você sabe algo que a humanidade há milénios tenta descobrir...»

«Mas ainda não deve saber quem é e de onde vem...» - Pensou a mulher, cuja educação e conduta moral a impediram de fazer mais questões perante o silêncio atónito que ali se renovou.



Manuel Alva


Experimentei chorar
Ousei gritar
o mudo sentimento
neste pranto
o lamento
mas nada se alterou
o carrocel da vida vai girando
este suspiro calou
no tempo o mando!

Egas Sobral

terça-feira, 8 de abril de 2008

Não dormi e chorei. De madrugada sequei as minhas lágrimas e gritei ao mundo: Estou desperto!



Egas Sobral

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Não sabias...

Pintaste-me um dia uma Galáxia...
Pintaste-me um dia um sonho imortal de doce voz e murmúrio etéreo perdido no tempo
Mas não sabias, não... não sabias que tinhas pintado na realidade o Universo
E me dado como lar o Zénite, donde poderia observar contigo o mundo e enfrentá-lo
Pensei que juntos iríamos até ao promontório das estrelas, onde do fim se faz o início, assim como da terra se faz o mar
Julguei ver no longínquo horizonte da vida as nossas folhas já caducas murchar e secar para a eternidade
E cairíamos...Primeiro eu e só depois tu porque não suportaria tal dor de te ver partir.
Mas o ciclo continuará...
Um dia desapareceremos os dois e depois disso, quando já não restar ninguém que nos tenha conhecido haveremos de cair novamente, desta vez no esquecimento da humanidade...
O fim poderá estar ou não próximo e por isso a tua ausência esmaga-me porque amanhã poderá ser tarde demais
Vamos então esquecer o Amor e apartar os nossos caminhos?
Valerá a pena?
Não...eu não quero acreditar...
Porque tu me pintaste um dia uma Galáxia
E eu queria que sua espiral não mais acabasse
Ergui uma amarga Máxima
E agora vejo-te, distante como Pégaso, fria e indiferente a tudo o que fomos como se nunca o tivéssemos sido, como se não passasse de um simples desconhecido, que no entanto busca em vão um Amor perdido...

Manuel Alva

Tu Trémula mão

Quem me apoias e tens sido a fiel balança do meu escrever.

O pêndulo manuscrito por ti erigido e distinguido me faz querer e agradecer-te enquanto meus olhos se despedem não só desta folha, mas da resma que na vida amadureceram e amarelaram. Inquieto sentido agora desorientado por vísceras e cruéis doenças que na velhice se ganha mesmo tendo sido sempre perdedor.

A vós agradeço, gentis palavras que me aconpanham mesmo desorganizada e conflituamente entre si num mar revolto de pensamentos que agora se tornam esguios.

Não mais fácil se torna a despedida se o fizer com nostalgia que nunca alcancei.

A alguém peço o rasgo, que não trema como esta minha mão, e se despeça dos meus escritos por mim.

Egas Sobral, arqueólogo, 86 anos

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Encruzilhadas...

Por vezes percorro aquela solitária e misteriosa estrada como se de um chamamento se tratasse...Gosto de palmilhá-la física e espiritualmente. Física, através da minha bicicleta, ou pedaleira como chamam no alentejo, que me transporta por esses caminhos de estrada velha que partem * das traseiras de minha casa. No meu veículo, de génese centenária, posso sentir o agradável vento (que de quando em quando tende a fazer companhia) a bater-me na cara e as pequenas pedras da estrada a rolarem ruidosamente debaixo dos pneus como se estivessem, uma vez mais ao longo dos seus duros anos, sido incomodadas, emitindo então um som de certo modo «crocante» como sinal de protesto, de aviso, ou quem sabe de boas-vindas (sim haverá mais possibilidades ainda, mas enquanto pseudo-escritor mediano de algibeira não poderei apresentar mais do que três possíveis causas, número agora mesmo por mim estipulado, tal como Bento XVI -- novo Messias -- risca o Limbo da religião católica por uma mera questão de entretenimento, algo inerente ao homem...) ao novo forasteiro que as pisa sempre na esperança de encontrar o seu caminho e de ultrapassar as próximas pedras da sua vida. Digamos que esta terapia nem sempre ajuda, antes pelo contrário, deixa-nos mais confusos nessa imensidão de encruzilhadas, de conquistas e de perdas que é a vida...


Manuel Alva


* Partirão ou chegarão? Talvez as duas possibilidades se conjuguem numa comunhão de partidas e chegadas, de inícios e não fins só verificáveis no cosmos...

Sopra vento, sopra

Sopra vento, sopra...
Conta-nos histórias do passado, do presente e do futuro nesta madrugada que se inicia
Já não há lugar para a mágoa ou melancolia
Elas já completaram o espaço em que eu vivia e hão de ser apagadas da memória para dar lugar a outras porventura mais profundas
Por isso sopra, dá e distribui histórias, dá e distribui lamentos a quem te ouve
Porque nada disso me afecta, só os passos do meu dia-a-dia...
Continua a tua saga intemporal e eterna
Que eu enquanto cá estiver te darei atenção
«Eu e só eu», como os humanos fazem, mas sem nunca ouvirem ou compreenderem as razões verdadeiramente...
Mas ainda assim eu cá estarei para te ouvir, tomando egocentricamente a tua mensagem como um pranto meu
Ou, pelo contrário, como um rodopio de alegria e celebração da vida...
Por isso sopra vento, sopra, até ao dia da Finisterra árida, vermelha e vazia de vida e de palavras...

Manuel Alva, Desenhador/Arqueólogo, idade 84 anos (2007)